Espaço das Letras


Conto recente

Sexo de velhos

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

O mundo é um moinho, Cartola.

 

Quando pensava: sexo de velhos, logo vinha na cabeça toda uma gama de impressões, das mais diversas, mas sempre ligadas ao estranhamento porque não se imaginava, não mesmo, na condição de mulher da sua idade dada a tais coisas.

Casada foi e foi mulher de um homem só, a vida todinha. E disso muito se orgulhava quase como que a ostentar tal verdade numa enorme letra vermelha cravada no peito, camafeu familiar que denotava distinção e limpeza moral.

Irretocável.

Sim.

Era irretocável em sua aparência de mulher com mais de sessenta anos.

Cabeça esguia coroada de prata; olhos fundos e brilhantes como duas esmeraldas no fundo de uma bateia; boca vincada na face com um quê de fel nas extremidades.

Quando falava não falava: proferia certezas e verdades.

E quando calava dizia também, mulher para a qual ou era bola ou era búlica. Não podia haver na vida meio-termo, segundo seus julgamentos tão bem estabelecidos, organizados e embasados ao longo dos anos corridos a fio na roca da vida.

(Se pudesse gritaria ao mundo sua condição, coisa muito improvável porque não cabia aos velhos professar fé alguma).

Era, a seu ver, inexorável (palavra tão pesada e carrancuda como si) carregar sobre os ombros a obrigação de ser uma anciã, chefe tribal dos sistemas matriarcais primitivos.

Em suas veias a história da família. Na cabeça a história do mundo. E no peito, apenas no peito, este espaço tão pequeno e apertado do corpo humano, a história própria que já ia tão longe e sem significado.

Portava também, via de princípios, no que era muito austera, repúdio por tudo que não fosse digno de ser beijado como as chagas do Cordeiro suspenso e crucificado e martirizado em sua parede, prova indelével do seu sacrifício particular.

Velho não podia fazer sexo, não mesmo.

Nunca se imaginara beijando outro velho (credo!) na boca, no meio da praça como a dizer: olhem! amamos e queremos chocar a todos!, porque na sua cabeça de pensares exatos o amor era um acinte, uma vez que a paz e a ordem familiar eram mais importantes do que qualquer busca pessoal.

Não sabia bem desde quando havia ficado velha.

Envelhecera e pronto.

A vida era um fato e o futuro cristalizado em presente e o presente sempre visto do retrovisor.

... Passado...

Então cabia viver e não se entregar a devaneios romantizados acerca daquilo que foi ou deixara de ser.

Sabia bem que velho não é estar, é ser mesmo, sem subterfúgios.

Absurdo seria na sua idade aceitar os estremecimentos passionais causados por um toque mais íntimo.

Não tinha mais um par de peitos duros para serem tocados com os lábios úmidos e nem um sexo candente para, lubrificado, envolver de maneira acolhedora. E suas mãos, trêmulas de tantos sobressaltos, não poderiam erguer um membro intumescido em sinal de vitória, benesse dos deuses.

Por dentro estava seca, agreste.

A barriga triste não era mais recepo de vida, vaso pleno de azeite. Era espaço do qual emergia vez e outra certo som incômodo como cavernas noturnas plenas de morcegos e animais peçonhentos.

Isso.

Sexo, a essas alturas, tinha viscosidade de coisa sobejada.

Mas não pensar é pensar.

E quanto mais pensava se lhe ia remexendo algo por dentro das entranhas e que quase saltava à boca. Vômito, talvez. Enjôo da vida pregressa se avolumando com força catastrófica.

Ai, que duro viver sendo velha!

Quantas e quantas vezes sentira de pertinho o cheiro das tias e teve pena delas! Coitadas... Não concebera nunca, agora confessava, que um dia também velha como elas se tornaria tendo um cheiro de água morna de banheira de bebê onde se misturam notas de urina e fezes.

Não, Meu Deus! Não podia cheirar a mijo e bosta! Isso não.

E logo se culpara de pensar palavras tão feias. Se mamãe estivesse ali, na sua intimidade, certamente repreender-lhe-ia com firmemente, bem como no dia em que, indo rumo ao altar, disse que o noivo lhe soava um tanto quanto piegas.

Deixe de bobagens, minha filha. Quem disse que homem tem de ser príncipe? Tem é que dar casa e dar conta da família e do que dela vem, asseverou a velha.

A velha, Meu Deus! A velha!

E fez um gesto de assombro e reprovação com a mão.

Correu a ponta do nariz por onde dava conta em seu corpo.

Graças, Senhor! Não estou maculada com nódoas nem fedentinas.

Mas sabia que não cheirava mais à colônia e rosas e brisa do mar e cheiro de montanha e orvalho.

Tinha cheiro de velha, jeito de velha, cabeça de velha; sexo de velha.

Era uma velha.

E cada vez que nisso pensava mais tinha vontade de mergulhar em tais elucubrações.

E ia ficando, claro, mais velha.

Aproximava-se sempre e mais do fundo abissal dos pensamentos pondo-se mais distante do sexo e da vida, para si, indissociáveis, enquanto jovem.

Estava morta, pois.

 

Costaneto, 18.04.11



 Escrito por Leonardo às 20h36 [] [envie esta mensagem] []






Tempos Modernos - corrigido

26- Tempos Modernos

 

Numa determinada faixa de tempo que vai da década de 40 até 2010, aos olhos de hoje, nem tão grande período, houve um desenvolvimento acelerado nas áreas da ciência, indústria e do conhecimento de tal forma que assusta os viventes da época. Nos últimos 40 anos o desenvolvimento da eletrônica, considerando as devidas proporções, levaria mais de 100 anos para se realizar. Nesse período até o século mudou, como se tivéssemos de viver em épocas distintas. Do vídeo cassete de 70, o Atari de 74, o Walkman de 79, às câmeras VHS de 81, Vídeo Game Nitendo de 85, e ano a ano uma infinidade, que inclui os telefones celulares, até a Blu-ray 3D, em 2010. Este desenvolvimento deixa atônitos os indivíduos, mas na mesma proporção mudanças ocorrem na área social, no que se refere a comportamentos, que permite determinado modus vivendi, que depende dos “nervos de aço” de Paulinho da Viola e da “paz que excede a todo entendimento”, de Paulo para aceitá-lo. Ouve-se o que não se imaginava ouvir, e vê-se o que nem sempre se está preparado para ver.

Duas jovens se beijam apaixonadamente em praça pública, e o mesmo já está acontecendo com os homens. Na década de 60 um beijo de casal hétero em praça pública, causava certo constrangimento.

Com relação à segurança: se está em casa sente-se medo, se sai às ruas tem-se que conviver com um aglomerado de pessoas, onde se presencia fatos dos mais diversos e inusitados. Pessoas sendo revistadas pela policia, atropeladas por veículos, fugindo, conversando e amando.

Vi o tempo do cavalo e dos foguetes, vi dias infindáveis e os que nos angustiam por termos que deixar algo para amanhã. Não se tem o direito de ser velho. Não se envelhece por falta de tempo.

 

 



 Escrito por Delson às 20h41 [] [envie esta mensagem] []






Tempos Modernos

Uma determinada faixa de tempo que vai da década de 40 até 2010, aos olhos de hoje, nem tão grande período, houve uma aceleração em todas as áreas da ciência, indústria e do conhecimento , de tal forma que assusta os viventes da época. Nos últimos 40 anos o desenvolvimento da eletrônica, considerando as devidas proporções, levaria mais de 100 anos para se realizar.

Nesse período até o século mudou como se tivéssemos de viver em épocas distintas. Do video cassete de 70, o Atari de 74, o Walkman de 79, as câmeras VHS de 81, o Video Game Nitendo de 85, e ano a ano uma infinidade, que inclui os telefones celulares, até a Blu-ray 3D em 2010. Este desenvolvimento deixa atônito os indivíduos, mas não se compara ao que vem acontecendo na área social, no que se refere aos comportamentos que permite determinado modus vivendi, mas que depende dos nervos de aço do Paulinho da Viola e da "paz que excede a todo entendimento" de Paulo para aceitá-lo

O que não se vivia hà décadas passadas e tem de se viver hoje, necessita de esforço para aceitação. Ouve-se o que não se imaginaria ouvir e vê-se o que nem sempre se está preparado para ver.

Duas jovens se beijam calorosamente em praça pública, mas prepare-se para ver também os homens. É certo que em pouco tempo causará o mesmo efeito que, na década de 60 causava o beijo público de um casal heterosexual.

Causa medo ficar em casa, sair às ruas tem que se conviver com um aglomerado de pessoas, onde se presencia fatos dos mais diversos: pessoas sendo revistadas pela policia, atropeladas por veiculos, fugindo, conversando e amando.

Vi o tempo do cavalo e dos foguetes, vi dias infindáveis, e os que nos angustia porque temos que deixar algo para amanhã. Isto nos sufoca. Não se tem o direito de ser velho. Não se envelhece por falta de tempo.

Delson.      



 Escrito por Delson às 12h04 [] [envie esta mensagem] []






Mulher

Mulher? Explicar?

Mulher é uma joia ou presente

que a todo momento se quer ter diante dos olhos, tocá-lo.

Humano? Humano lembra homens, defeitos, mazelas!

Mulher está acima dessas imperfeições. Não se pode explicar, só sentir.

Delson. 

 



 Escrito por Delson às 11h54 [] [envie esta mensagem] []






Conto

Ela

Gosto de pérola barroca e cerâmica torta, só não gosto de tomar consciência de meus lapsos gramaticais.

Luz em resistência, Adélia Prado

 

Às vezes era capaz de sentir uma imensa piedade do mundo, mãe dos homens, do mundo, do mundo dos homens, colo reconfortante. Maria mãe de Deus que sabe calar e resignar-se.

E gostava disso.

Gostava de se imaginar como sendo essencial para a manutenção da aparente banalidade das coisas, pois que até para o banal é preciso ordem, ora! Por isso mesmo é que é! Se ralhava no tanque pra ganhar um troco a mais e ajudar o homem que era seu, bem seu, é porque sabia que tinha recompensa, afinal, os calos nas mãos fechadas, macho de madeira de lei segurando-lhe as ancas era conforto bastante pra arrefecer-lhe o peito depois das horas cáusticas, tórridas de brutalidades e levezas de amantes que sabem amar sem medida, na medida do possível das contas a atrasadas. Era desse jeito, sem segredo nenhum: queria ser mulher de um homem só, acordar cedo e coar-lhe o café, pôr a marmita na trouxa dele com arroz, feijão, carne cozida com batatas, salada de repolho e tomate; e esperá-lo à hora do cair do dia, fedido que nem um cão, tresandando à pinga, maltratado como um mouro, amassado, vencido, honesto; seu.

Missão divina: passar o dia cuidando do barraco, coisa alugada, mas deles mesmo assim. Tinham seu pedaço. Aos poucos iam construindo o puxado nos fundos da sogra, até boazinha, só que muito intrometida. Custou a ser aceita e a aceitar a danada velha. Passou muita hora com a boca repuxando de baba amarga que nem a do dragão de comodo, veneno letal. Tinham aquele homem em comum, contudo. Não se gostavam dentro da medida sabendo uma elogiar o guisado e o asseio e as prendezas e as espiritualidades da outra. Se verdade aprendera muita coisa com a rabuja, não podia negar. Segunda mãe.

Era bonita, preta forte de peito duro e de auréola grande, boa pro menino, quando viesse, chupar; e também tinha quadril de égua parideira!, como dizia seu homem dando-lhe um tapa na bunda no meio da roda, entre os amigos, enquanto bebia e berrava impropérios contra o “governo”, palavra fina na sua boca de pouca instrução. Ele Jurava que nunca votara na direita. Sempre fora PT, desde a época que o Lula despontara fazendo nascer a esperança dum país melhor pros pobres todos. Foi em comício e tudo, de ficar com os olhos embotados. A vida mudara um pouco até razoável, é verdade. Se não mudou mais foi por causa dos “abutre véi” que estavam no poder há gerações. Mas o trabalho continuava duro do mesmo jeito, assim como o pão dormido da bodega do Manuel, era mais barato, poxa! Torradinhas não matam ninguém, ainda mais com chá mate na época de friozinho de manhã.

Tá escurecendo..., não disse em voz alta pra modo se alguém chegar de súbito e imaginar que estivesse dando pra doida. Apenas fez um gesto levantando a sobrancelha. Meu homem já deve ter passado no botequim e não demora apontar na esquina!, apressou-se enxugando as mãos na barra esgarçada da camisa enquanto acendia a luz do quintal pra iluminar o caminho quando ela, pelo seu braço, caminhasse pra dentro de casa a esquentar o que sobrara do almoço.

 

Costaneto, 10 dezembro 2010.



 Escrito por Leonardo às 11h46 [] [envie esta mensagem] []






Perguntei a um sábio a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade:

O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.

O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.

No Amor há mais carinho,
na Amizade, compreensão.

O Amor é plantado e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida companheira.

Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,

e quando a  Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.

Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
http://www.sotextos.com/amor_e_amizade.htm





 Escrito por Eliamara às 21h58 [] [envie esta mensagem] []






As dores e as delícias de sermos quem somos

 

 

Olá, pessoal!

 

Acho que este Blog foi a melhor coisa que nossa turma fez junta. Mesmo quando me sinto o único por aqui, sei que há outras pessoas também, sempre visitando-o, mesmo que não postem comentários, né, Rose, Delson e cia.?! É muito bom saber que as nossas "aflições poéticas" não vão se tornar eco: todo mundo que escreve o faz para alguém... E eu, nos últimos tempos tenho tido muuuuitos motivos para escrever. O amor e a paternidade acentuaram minhas tendências poéticas! rsrsrsrs E é por isso que gostaria de compartilhar minhas alegrias com vocês, colegas, amigos de classe, já que há três anos convivemos juntos provando das dores e das delícias de sermos quem somos!... Enfim, eis um poema. Eis algo de mim, daminha vida,  que gostaria de compartilhar com vocês! Até mais!

O possível amor

 

Je voudrais pouvoir palper tes notes

dans une carverne sans lumière, sans reflets

où deviendrait sensible

le grain de leur chair

Marie-Claire Bancquart

 

No teu corpo

não residem subterfúgios:

é tudo muito intenso,

misto de brutalidade

e gozo incontido.

 

Sobre tua pele

balouçam os mares,

sob a tua carne adormece

incandescente,

o infinito.

 

E se de relance

corto o tempo

dum extremo a outro,

o que há é tu mesma:

um amor possível.

 

Costaneto



 Escrito por Leonardo às 19h59 [] [envie esta mensagem] []






Poema: Simulacro

Simulacro

 

 

Quando a sintaxe

do corpo estiver desfeita

nos retalhos de uma cama

e tua nudez clara

se presentificar diante

dos meus olhos,

direi: como és bonita.

 

E mais.

 

Terei a glória de tocar-te,

desnudando-te por inteiro

(urna grega,

[caixa de Pandora],

cornucópia de esplendores

da qual emana sempre e mais

a tua essência).

 

Costaneto,



 Escrito por Leonardo às 20h19 [] [envie esta mensagem] []






Pra não perder o ritmo nas férias

Menino e homem, homem e mulher

 

 

            Antes que sentisse o gozo, avesso da dor, pôde sentir os beijos (boca e língua quentes), a pele (veludo e couro de cobra), e a luz dos seus olhos (profundidade do cosmo). E era ainda menino sendo recebido no corpo de mulher. Sentiu medo, dor e delícia de ser o que era: menino. Sentiu medo, claridade e sombra, tudo e nada até não ter mais medo de morrer e ser apenas o que era: não ser mais menino. Homem. As veias tiniam no corpo; se embebeu em vida no entre-coxas da mulher. No mais, o que importava? Era homem. E eis o essencial.  Mistério. Cáustico e fatídico. Amou sem amor, porque não podia ser amor. Era sexo tão somente; coisa que não leva e nem trás, que não faz sentido fora de si e que não promete e nem cumpre e que não apresente e nem esconde e que não leva ao mar nem às estrelas nem aos confins. Nada, nada. Nada além de contato, fremir de carnes, espasmos, desatinos, secreções; protuberâncias. Se um dia havia nascido tinha de ser para aquilo: nascer de novo, dum outro corpo que não o de sua mãe (mas sabia que toda mulher carregava um pouco de mãe dentro de si). E por isso mesmo, procurava pelo corpo da outra o segundo nascer. Nascera primeiro menino, sem força e querer. Mamar o peito da mãe era a certeza. E agora, ó Deus? Fazer o quê? Ouvir a verdade silenciosa e sem palavras da outra? Inútil, inútil, pois o aquele corpo, recepo de amor-sem-amor, não era nada além de simulacro (mas era também Alfa e Ômega). E era preciso muita lama e luz e sujeira e dor e montanhas (cruzes, espinhos e coroa) para aquilo tudo superar. Era o caso de purificar, de louvar, de mentir, de ver no dilúvio a chagada e a redenção. Era caso de ser a própria nuvem que esconde o sol, luz e imensidão que trás dos distantes nortes a novidade, o estado diferente das coisas. Queria o batismo. Mas como? Ele é quem tinha o poder, não ela, simples fonte de vida que sem pensamento não era vida. Quis fustigá-la, maldizer-la; amá-la. Chorou, chorou e chorou. Se era, não poderia chorar, ora! Mais uma vez estava desgraçado. E duas vezes por quem deu-lhe a vida. Não podia ter a palavra perfeita e nem eterna no canto de sua boca, no tubo de sua garganta (plena de nós) para dizer o que queria e prantear o que pensava. Já havia, decerto (e fatalmente), gozado.

 

Costaneto, 14 junho 2010



 Escrito por Leonardo às 10h39 [] [envie esta mensagem] []






Um poema muito especial

 

Meu filho

Para meu filho, imagem (ainda) sem rosto.

Para minha amada, corporificação do meu amor.

 


Meu filho

sou eu

fora de mim

(dentro de ti)

pedaço de nós,

pó de estrelas,

candência entrando-nos

em tua concha-fêmea.

 

Meu filho é um susto,

espelho,

águas espraiadas

nas quais miro-me:

(Narciso, aberço-me

ante tua figura,

filho incógnito,

imagem sibilina,

esfacelada

intensidades e filigranas).

 

Meu filho me (nos) nasce

sem rosto

(mas não é etéreo:

traçado está com minhas

[nossas] feições

comungadas

na alma, no corpo

[manancial da alma];

fruto de extremos

na tessitura da carne,

na leveza do plácido

na fugacidade do tempo

que baila sobre nós).

 

Meu filho

sou eu,

és tu.

És tu, amada

que é (somos),

pleno(s),

tácito(s),

implícito(s),

claro(s),

singelo(s),

criança(s),

atemporal(is),

extático(s),

magnético(s),

tímido(s),

túrgido(s),

mítico(s),

astral(is).

 

(Nós).


 

Costaneto, 12 junho 2010.



 Escrito por Leonardo às 23h14 [] [envie esta mensagem] []






Conto

De volta ao começo

 

 

 

Antes de sair da casa deixando toda sua vida para trás, tratou de botar o prato dele dentro do forno com arroz, feijão, carne cozida e salada de tomate e alface. Também cuidou de alimentar o canário belga do filho e d=o coelhinho malhado da caçula. Depois regou as samambaias da sogra que repousavam, plácidas, sob o telhado dos fundos, de colher a roupa no varal, conferir se o gás não estava vazando e se as janelas dos quartos não estavam abertas; ia chover, sabia disso. Depois, subiu ao quarto e pôs no papel as palavras de adeus. Sobrescritou o envelope endereçando-a ao marido. Antes de sair do quarto, colocou as chinelas do homem no devido lugar, bem ao seu gosto. Desceu as escadas e, antes de sair, conferiu mais uma vez o gás e as janelas. Deu mais uma torcida na torneira do banheiro. Abriu a porta da frente, trancou-a e meteu as chaves debaixo do vasinho de violetas, presente dos filhos no último dia das Mães. Sabia que o menino sempre esquecia as chaves, tão parecido com o pai até na distração. Desceu os quatro degraus que davam para a pequena aléia do jardim, obra do falecido sogro na qual brotavam já as primeiras floradas. Decidiu regar as plantas. Regou-as. Enrolou a mangueira na velha roda de Kombi dependurada no muro e dirigiu-se ao velho portão de ferro que sempre rangia ao abrir. Colocou a chave no ferrolho; girou-o. É, começou a chuviscar, pensou. Deu meia-volta, passou pela aléia, pegou o molho de chaves debaixo do vaso de violetas e se decidiu a partir no dia seguinte. Mas não partiu.

 

Costaneto, 1º junho 2010.



 Escrito por Leonardo às 16h39 [] [envie esta mensagem] []






O casal

 

O casal

"Oh! Como e bom e agradavel viverem unidos os irmaos!" Sl. 133-1.

 

Era uma vez um casal diferente dos demais. Nao era casal de dois, era casal de dezoito. Como todo casal em lua de mel, viviam felizes

na terra dos casais. Era so mo pra la, bem pra ca, muitos beijos, abracos e amacos, dia e noite a qualquer hora. Mas "como nao ha bem que sempre dure e mal que nunca se acabe", acabou na segunda. Alguns questionaram:

Por que lua de mel nao dura a vida toda, quem destroi essa fase tao encantadora da vida do casal, seria os filhos, os amigos palpiteiros. Ninguem sabia.

E como todo casal que prospera, os filhos vieram e muitos. Filhos esquisitos, de formas estranhas. Filhos cientificos, de varias areas da ciencia. Influenciaram muito o casal que se dividiu em clas. Piaget tentou em vao criar uma formula de estudar essas criancas e passar um padrao para o casal.

Quando a situacao caminhava para a dissolucao do casamento, pensaram em Freud, que de certa forma estava implicado nessa historia. Casal atipico, talvez Freud nao consiga, imaginaram. Mas Freud do sec. XXI e' Freud!

Procuraram o homem e ele propoz o seguinte:

Numa acao radical ordenou ao casal de dezoito que colocasse os filhos numa creche por algum tempo apagando-os da memoria e assumissem novamente a condicao de casal. Fizesse coisas que casal faz. Voltassem aos mos, bens e suas consequencias e esquessecem as sequelas que separam os casais dentro de casa, dizendo que era a unica alternativa. Deu ao casal duas semanas de prazo e disse que aguardava ancioso a resposta.

 



 Escrito por Delson às 16h33 [] [envie esta mensagem] []






AMIZADE É UM AMOR QUE NUNCA MORRE



A frase do titulo é de Mario Quintana. Velho poeta que nunca deixou morrer a criança que carregava no seu interior. Via a vida com os olhos sensíveis como são todos aqueles que vêem as coisas de uma maneira que as pessoais “normais” não percebem ou não querem ver.

Amar é uma capacidade que o ser humano dispõe e que podemos ou não exercitar e aumentar. Nossa capacidade de amar é limitada à vontade de cada ser. A amizade é um bem precioso que deve ser cuidada e preservada. Juntar amizade sincera ao nosso poder de amar fará que a frase de Quintana se mostre verdadeira.

Aquele que não consegue modificar a sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive , sem ter consciência de que é dono do seu destino se torna um Deficiente , segundo o mesmo Quintana. Junte a isso outra definição de poeta, que dizia que Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.

Se agora ler novamente a frase do Quintana que deu titulo a este texto verá que um dos bens mais preciosos que podemos ter, é a amizade verdadeira. Esta nunca morrerá e lhe dará tudo que precisar sempre que precisar.

Tenho um texto "AMIGOS VERDADEIROS" que fala sobre o que julgo todos sabem ou deveriam saber. Os AMIGOS, assim mesmo , com todas as letras maiúsculas, são raros. É destes que Quintana fala quando diz que “a amizade é um amor que nunca morre”.

Tendo AMIGOS, saber que somos donos do nosso destino e soubermos ser felizes com o que temos, estaremos prontos para VIVER A VIDA e não somente existir.

Caminhe , ande, viva e pense, porque dá pra pensar andando, aprendendo com nossos erros, apoiados por AMIGOS VERDADEIROS , vivendo segundo o que nós e não outros acreditam. Sabendo sempre que somos o que temos e nossa felicidade não depende de nada mais.


RICARDO garopaba BLAUTH


 Escrito por Eliamara às 11h50 [] [envie esta mensagem] []






iiiichchchch, acho que vai ter gente que nao vai gostar dessa cara de blog "copa do mundo". Só por uns momentos, gente... só para entrar no clima da seleção do Dunga. Heheheh Depois coloco outro visual para nós!

bjs dani



 Escrito por Nós... às 12h09 [] [envie esta mensagem] []






O TREM

O TREM

 

 

Era uma vez um país imaginário, onde vivia um povo insatisfeito com tanta coisa errada que acontecia a todo instante. Então, certo dia, apareceu na cidade um trem. Era tão grande que podia circundar a Terra! Seu maquinista era Deus e seu destino era o Paraíso. Muita gente se candidatou à viagem,porém somente quem fosse BOM podia adquirir o bilhete. E os bons lotaram apenas cinco vagões.

 

O trem não saía da estação e seus passageiros, aborrecidos, começaram a reclamar. Então, o maquinista disse-lhes que podiam saltar, porque o trem só partiria quando estivesse lotado. Foi um desespero geral! Como encher aquele trem imenso? Ainda mais com a condição anterior, de SER BOM, sendo mantida!

 

O maquinista então lhes ensinou o caminho: Cada um que tivesse desenvolvido a consciência e vivesse no amor deveria contagiar, com seus exemplos e palavras o outro.

 

Logo, todos saíram pelo mundo fazendo seu trabalho. Mas era muito difícil transformar as pessoas, pois elas estavam tomadas pela ilusão. Muito tempo se passou, até que um dia, o trem finalmente lotou! Mas mesmo assim, não partia. Novamente, os passageiros reclamaram. O maquinista veio até eles. Disse-lhes que, em um vagão, alguém, preenchera um lugar vazio com uma mochila. E que Ele lhes havia dito TODOS os humanos! Estava faltando alguém, e Ele não partiria deixando para trás uma só pessoa. Então, um passageiro desabafou:

 

- Esta pessoa não está interessada em Paraíso, além do mais considero-a irrecuperável! Assim, não partiremos nunca!

 

O maquinista mostrou-se irredutível. Aquela era a condição: ou todos, ou nada de Paraíso. Os passageiros adiaram mais uma vez a tão sonhada viagem. Mas desta vez trabalharam JUNTOS com o mesmo objetivo. Após anos de trabalho
árduo e de muita paciência, finalmente, o coração daquela pessoa se transformou. O trem estava lotado! Com enorme alegria, viram-no dando partida. Contudo, mal o trem havia partido e parou!

 

O que seria agora? O maquinista veio e disse-lhes que já haviam chegado. Mas como? Estavam no mesmo lugar!

 

Porém, ao descerem, notaram a diferença. E compreenderam que: "todo lugar se transforma no Paraíso quando as consciências e os corações são transformados".

 

Precisamos deixar que Jesus transforme toda a nossa vida. Ele quer fazer de cada um de nós construtores de um novo mundo. Para que isso aconteça é necessário "trabalhadores" dispostos a se deixarem ser usados por Deus.

 

Você aceita essa missão?

 

 

 

 

 

 

 



 Escrito por Fábia às 14h04 [] [envie esta mensagem] []




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