Espaço das Letras


História de um reino

 

História de um Reino

Era uma vez um reino encantado cercado de bosques frutíferos e floridos. Era o mais antigo e agradável dos reinos da região, todos viviam felizes. Era um reino diferente, não tinha rei nem rainha, aliás diziam que havia uma rainha, a rainha mãe, mas muitos nem sabiam. Recolhida no interior do palácio, governava. Havia muitas fadas e duendes, queridos dos súditos, passavam a eles conhecimento. Muitas fadas. Fadas que se transformavam em estrelas, fadas conselheiras, fadas-mães, fadas que conheciam até idioma de outros reinos. Havia um relacionamento familiar entre súditos, fadas e duendes. Relacionamento forte, inabalável, mesmo porque, em reino encantado o que se espera é a permanência do que já é bom. O reino era sólido, tinha a proteção dos grandes deuses, e não se imaginava que um dia poderia ser atingido pelos monstros que rondavam os vizinhos.

Ah, mas um dia haveria de aparecer uma história de reino encantado sem final feliz, sem princesa dorminhoca e príncipe que já foi sapo. A história desse reino aparente feliz estava nas mãos da Moira, e um dia, surgiu o exterminador de reinos: O “Tissunamus Econômicus”. Já havia atingido outros reinos da região. A coisa estranha chegou e levou as fadas e duendes. O reino encantado sem fadas e duendes ficou vazio, sem encanto. Os súditos choraram, reclamaram suas fadas e duendes de volta, mas a rainha foi irredutível e fez valer a ordem da coisa estranha. Disse que viria fadas e duendes substitutos, mas os súditos não aceitaram outros, e vêem o fim do reino.

Os súditos ficaram como quem acorda depois de um sonho, e acabaram por entender que a história desse reino encantado é uma história às avessas.

 



Escrito por Delson às 20h28
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EXPOcachaça 2009

 

ExpoCachaça 2009

 

Aproveitei o fim de semana para visitar a ExpoCachaça na sua 12ª edição. Cachaça evoca o interior e seus produtos, e a memória de quem viveu por lá, portanto entre as cachaças havia também guisados, féis companheiros dela, violas das quais se tiram belos sons acompanhados de algumas doses, pessoas com trages típicos, e alegres depois de experimentar várias marcas.

No stand onde instalaram um museu da cachaça, observei as marcas antigas que não existem mais e naturalmente veio à lembrança fatos relacionados com as mesmas. Eram do tempo em que as mulheres tinham o privilégio de ser motivo do homem ingerir algumas doses por elas, então vi a Mariazinha, Lurdinha, Jandira... Nessa época a cachaça era branquinha, queimava levemente a garganta, características que a consagravam como a bebida exclusiva do interior e da nação. Quem tomava cachaça era o matuto quando voltava do trabalho da roça, e nos seus longos papos com os amigos entre uma dose e outra. Hoje ela saiu do seu habitat e ganhou o mundo. Alcançou a mesa dos granfinos. Recebeu rótulos luxuosos, modelos sofisticados de garrafas, mudou até de cor para receber nomes ingleses “Diamond”, White Gold”e outros registros da terra do Tio Sam.

No stand de um empresário conhecido, experimentei a sua, tipo exportação. Dose para experimentar, micro-dose de 5 ml, por isso se anda tanto na exposição. Ali me assentei para descansar e conversar. Muitas histórias protagonizadas pela cachaça. Recordei a primeira dose que experimentei, ou uma peraltice de criança. Minha mãe havia ganhado um litro de cachaça para curtir pimenta. Vi por muitas vezes aquele litro preto na prateleira da cozinha, e certo dia minha mãe saiu e eu fiquei sozinho. Tive a curiosidade de experimentar. Como seria o sabor? O efeito que causava, nem imaginei, não sabia. Aquilo desceu queimando minha garganta sem calos. Não tinha bom sabor, mas algo levou-me a voltar ao litro preto em outros dias. Felizmente ficou nisso, não tive mais desejo de voltar à prateleira e minha mãe curtiu sua pimenta.

Apesar do status que a cachaça ganhou, a produção da boa é ainda artesanal, por isso seu sabor sofre pouca alteração. Ganhou volume os alambiques, enormes globos de cobre que destilam a garapa fermentada.

 



Escrito por Delson às 20h26
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