Conto, Costaneto
Pater generoso Vai ter o nome da mãe!, disse o pai contente, mesmo antes de saber o sexo da criança. Fora mais amada que o irmão, o primogênito, antes mesmo de nascer. Linda menina de cabelos castanhos como nozes e olhos cintilantes qual estrelas na noite, a brilhar. Era a eleita, a mais-amada-de-todas-as-amadas, a flor dileta do jardim paterno. Crescia a passar longas horas no colo do pai, esquecido do tempo, ciumento do mundo em redor, sempre no mesmo silêncio assustado de quem teme perder o objeto adorado. Eram suas as balas mais gostosas, os brinquedos mais caros e os carinhos mais amorosos. Desabrochava em cores e perfumes juvenis cercada dos cuidados paternos. Mais um pai extremoso!, diziam os familiares, amigos e vizinhos, louvando o homem, sempre e mais afetuoso. Nem a esposa, companheira de anos, pôde perceber na noite negríssima e sem estrelas que se converteram os olhos da filha, os amores silenciosos presentes nos carinhos do pai. Costaneto, 28 Out. 2009.
Escrito por Leonardo às 08h46
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